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| Vereador Odinei da Silva (Kalanga) e Ademar Ribas (ademarzinho) |
Recentemente, quando a Câmara Municipal votou o reajuste dos salários do prefeito, vice-prefeito e demais cargos ligados ao Executivo, o plenário ficou claramente dividido. A base aliada do governo votou favoravelmente ao projeto, acompanhada por um voto vindo da oposição, porém com justificativa apresentada em tribuna. Já outros três vereadores oposicionistas posicionaram-se contra a proposta, evidenciando que o tema está longe de ser consenso dentro do Legislativo itapoaense.
Agora, o debate retorna ao centro das atenções, mas desta vez dentro do próprio território da Câmara Municipal. Entra em pauta nesta segunda-feira o Processo nº 13/2026, que altera a Lei Complementar nº 76, de 11 de fevereiro de 2019, propondo reajuste nos vencimentos dos cargos do Poder Legislativo de Itapoá.
E novamente, o cenário político revela divisões internas. Nem mesmo entre vereadores tradicionalmente alinhados ao Executivo houve unanimidade. Durante a tramitação nas comissões, os vereadores Ademar Ribas e Odinei da Silva votaram contrários ao projeto, enquanto os demais parlamentares, tanto da situação quanto parte da oposição, manifestaram-se favoráveis.
Questionado sobre sua posição, o vereador Ademarzinho reafirmou ser contrário ao aumento. Segundo ele, a posição não é recente.
“No ano passado já fui contra e inclusive entramos com medida judicial para barrar o projeto, juntamente com os vereadores Nei, Daniel e Márcio. O mandado de segurança foi acatado pelo Judiciário, impedindo o projeto de prosseguir naquela época”, afirmou.
O vereador também relembrou o Requerimento nº 90/2025, apresentado por ele no ano passado, que, segundo suas palavras, recebeu respostas consideradas evasivas.
“Ainda não ficou esclarecido por que funcionários da Câmara continuam trabalhando de forma remota, como se ainda estivéssemos em período de pandemia”, questionou.
Ademarzinho ainda levantou outro ponto que promete alimentar o debate político e popular: a comparação salarial entre servidores do Legislativo e profissionais da saúde do município.
“Se levarmos em consideração o número de horas trabalhadas, veremos que funcionários da Câmara estão ganhando mais do que médicos do nosso município”, declarou.
O tema deve provocar discussões intensas no plenário e também fora dele. Afinal, quando se fala em reajuste salarial dentro do serviço público, o debate inevitavelmente ultrapassa a política e alcança a percepção da população sobre prioridades, transparência e valorização profissional.
Na prática, Itapoá assiste mais uma vez a um retrato claro da democracia local: vereadores divididos, posições firmes e uma sociedade cada vez mais atenta ao destino dos recursos públicos.









