05 outubro 2026

Jornal aborda tema "34 ANOS DE ESPERA PELO HOSPITAL"

Por César Malinoski- Jornalista Reg.5007/SC 



Em 34 anos de espera: Itapoá cresceu, o Porto nasceu e cresceu e avança, 

mas o Hospital não saiu do papel.



Existem promessas políticas que envelhecem. Outras criam raízes, atravessam governos, sobrevivem a eleições e acabam incorporadas à paisagem da irresponsabilidade pública.
Em Itapoá, a promessa do hospital municipal parece ter escolhido esse caminho.

Trinta e quatro anos. É tempo suficiente para uma criança nascer, crescer, formar uma família e chegar à vida adulta sem conhecer o hospital que sua cidade prometeu construir em 1992.

Pense nisso!

Desde aquele ano, Itapoá passou por transformações profundas. O município cresceu, o Porto ganhou importância econômica, novos empreendimentos chegaram, os terrenos se valorizaram e a população aumentou. A cidade entrou definitivamente no mapa da logística portuária brasileira. Mas, quando o assunto é garantir atendimento hospitalar à própria população, continuamos tropeçando em estudos, projetos, autorizações e promessas.


Como explicar que uma cidade capaz de movimentar uma economia portuária tão importante não tenha conseguido, em mais de três décadas, tirar do papel um hospital municipal?


Não estamos falando de uma obra de embelezamento urbano, de uma praça, de um monumento ou de uma estrutura que possa esperar a próxima administração. Estamos falando de saúde, de emergência, de cirurgias, de internações e de vidas humanas.

A reportagem publicada pelo Jornal de Itapoá, na primeira quinzena de outubro de 2026, reconstrói parte dessa história. Em 1992, o hospital entrou oficialmente no planejamento municipal. Em 1993, os recursos previstos foram retirados do orçamento. Em 2001 e 2002, novas movimentações orçamentárias apareceram, incluindo valores retirados de rubricas relacionadas à construção. Em 2022, um novo projeto recebeu aprovação sanitária, mas ainda dependia de outras providências. Em 2025, a Prefeitura abriu uma nova etapa de estudos para definir a viabilidade da obra.

E chegamos a 2026 com uma pergunta que continua sem resposta: quando o hospital será construído?

Não se trata de apontar culpados sem provas.  O jornalismo sério não condena por suposição. Mas também não se pode aceitar que a ausência de respostas se transforme em regra administrativa. Quando uma necessidade pública atravessa tantos governos sem solução, a cobrança deixa de ser uma disputa partidária e passa a ser uma exigência de responsabilidade institucional.

O dinheiro público precisa de respostas


A reportagem levanta questões que merecem esclarecimento. Quanto foi efetivamente arrecadado com a venda de imóveis municipais que seriam utilizados para financiar a obra? Se houve arrecadação, onde os recursos foram aplicados? Por que a chamada conclusão do hospital, mencionada em 2002, não se transformou em realidade? Qual é o custo atualizado da construção, dos equipamentos e da manutenção?


São perguntas objetivas. A população tem o direito de conhecer as respostas.

Se houver  mudanças de planos, que se expliquem as razões. Se faltaram recursos, que se apresentem os números. Se houve dificuldades técnicas, que se esclareçam os obstáculos. Se a administração não tinha equipe preparada para conduzir um empreendimento desta dimensão, como a própria Prefeitura teria reconhecido em documento de 2025, é necessário explicar por que essa capacidade não foi estruturada ao longo de tantos anos.

O que não podemos aceitar é que cada governo receba a herança da promessa, anuncie uma nova etapa e transfira a solução para o próximo mandato.

Dinheiro público exige transparência. Projeto público exige continuidade. E necessidade pública exige prioridade.


A população não pode continuar pagando essa conta

Enquanto o hospital não existe, a doença não espera. O acidente não espera. A emergência não espera a conclusão de um estudo técnico, a publicação de uma licitação ou a definição de uma fonte de financiamento.

A reportagem registra que Itapoá conta com atendimento de pronto atendimento, mas não dispõe de um hospital municipal com leitos de internação. Casos que exigem internação, cirurgia ou atendimento mais complexo continuam sendo encaminhados, em grande parte, para hospitais de Joinville e de outras cidades da região.

Isso significa deslocamentos, desgaste para pacientes e familiares e uma dependência regional que precisa ser considerada no planejamento da saúde pública.

É preciso reconhecer que construir um hospital não significa apenas levantar paredes e instalar equipamentos. É necessário contratar médicos, enfermeiros e outros profissionais, garantir medicamentos, alimentação, limpeza, manutenção, exames e funcionamento permanente. Trata-se de um compromisso financeiro e administrativo de longo prazo.

Mas a complexidade da tarefa não justifica 34 anos de indefinição. Pelo contrário, torna ainda mais urgente um planejamento sério, com custos transparentes, cronograma público e responsabilidades definidas.

Se é difícil construir e manter um hospital, por que não houve, ao longo de décadas, uma solução definitiva para essa dificuldade?


O hospital também virou promessa eleitoral

A matéria mostra que o hospital atravessou sucessivas eleições municipais e voltou a aparecer em discursos e planos de campanha. Desde 1996, Itapoá passou por oito eleições municipais, segundo o levantamento publicado.

Não é possível afirmar, sem documentação completa, que todos os candidatos prometeram a mesma coisa. Mas a permanência do hospital no debate político demonstra como uma necessidade concreta pode se transformar em instrumento de expectativa eleitoral.

A cada nova administração, surge a esperança de que agora vai. Um projeto é apresentado, um estudo é contratado, um terreno entra na discussão, uma autorização é anunciada. A população acompanha, acredita e espera.

Depois, o tempo passa.

É nesse momento que o cidadão precisa compreender a diferença entre anúncio e realização. Anunciar um hospital não é construir um hospital. Aprovar um projeto não é garantir atendimento. Reservar recursos não é assegurar que a unidade funcionará.

A obra somente cumprirá sua finalidade quando estiver construída, equipada, com profissionais contratados, recursos para manutenção e capacidade real de atender quem precisa.

Até lá, a promessa continua sendo promessa.


Crescer economicamente não basta

Itapoá tem motivos para comemorar seu desenvolvimento econômico. O Porto representa uma atividade estratégica, movimenta negócios e coloca o município em posição relevante na logística nacional. Mas o desenvolvimento não pode ser medido apenas pelo volume de cargas, pela valorização imobiliária, pelos investimentos privados ou pelo crescimento da arrecadação.

Uma cidade também precisa ser medida pela qualidade dos serviços que oferece aos seus moradores.

De que adianta o progresso aparecer nos números se, diante de uma necessidade hospitalar, a população continua dependendo de atendimento fora do município?

Não se trata de colocar o Porto contra a saúde, nem de ignorar as responsabilidades de outras esferas de governo. A questão é outra: o crescimento precisa ser acompanhado de planejamento público, infraestrutura social e capacidade administrativa.

Uma cidade não pode ser moderna apenas para os negócios e insuficiente para as necessidades humanas.

O cidadão que trabalha, paga impostos, movimenta o comércio e contribui para o desenvolvimento de Itapoá não está pedindo um favor. Está exigindo que o poder público trate a saúde como prioridade.


Chega de reiniciar a história

A essa altura, não basta apresentar mais um estudo. A população precisa conhecer o resultado do trabalho iniciado em 2025, saber se o projeto de 2022 ainda é aproveitável, conhecer o custo atualizado da obra e identificar de onde virão os recursos para construir, equipar e manter a unidade.

Também precisa de um cronograma verificável, com etapas, prazos e responsáveis. Se houver impedimentos, que sejam apresentados publicamente. Se o modelo de financiamento ou de administração precisar mudar, que a alternativa seja discutida com transparência.

O que não pode acontecer é a história recomeçar a cada eleição, como se os 34 anos anteriores não existissem.

Uma administração pública responsável não precisa esconder dificuldades. Precisa demonstrar que sabe enfrentá-las. E uma sociedade que conhece sua própria história não deve aceitar que o futuro continue sendo adiado sem explicações.


Trinta e quatro anos são mais do que suficientes para transformar uma promessa em obrigação administrativa.

Itapoá não precisa de mais um discurso sobre a importância do hospital. Precisa de respostas, decisões, recursos definidos, obra iniciada e atendimento funcionando.

A pergunta que fica para os governantes, vereadores e candidatos não é se o hospital é necessário. Essa discussão já deveria estar superada há muito tempo.

A pergunta é: quem vai assumir a responsabilidade de fazer o hospital acontecer, em que prazo e com quais recursos?

Porque o tempo dos discursos já passou. O tempo da cobrança chegou.

E a saúde da população não pode continuar esperando a próxima eleição.







24 setembro 2026

AMAI - ITAPOA CONVOCA TODOS OS SÓCIOS FUNDADORES

 



EDITAL DE CONVOCAÇÃO


ASSEMBLEIA GERAL EXTRAÓRDINARIA  DA 
AMAI - ASSOCIAÇÃO DOS MOTORRISTAS AUTONÔMOS DE ITAPOÁ-SC


Ficam convocados todos os sócios fundadores da AMAI - ASSOCIAÇÃO DOS MOTORISTAS AUTÔNOMOS DE ITAPOÁ-SC, para participarem da ASSEMBLÉIA GERAL EXTRAORDINÁRIA,conforme previsto no Art.16 do Estatuto Social da entidade, a realizar-se na sala situada à Rua Siriema nº 1138 no Bairro Bamerindus - CEP 89363-578, Itapoá - SC, no dia 05 (Cinco) do mês de Outubro do ano de 2026 (Dois Mil e vinte e seis) às 15 horas em primeira convocação com maioria absoluta dos fundadores, e ás 17 horas em segunda e ultima convocação com´qualquer número dos presentes, para deliberarem sobre a seguinte e única  ordem do dia: 

1º ALTERAÇÃO DO ENDEREÇO DA SEDE DA  ASSOCIAÇÃO DOS CAMINHONEIROS AUTONÔMOS DE ITAPOÁ -  SC - AMAI.

         A participação de todos os fundadores é de inteira importância para nossa classe associativa.



Itapoá SC, 24 de Setembro de 2026





21 setembro 2026

Chegou a hora de discutir o problema da mobilidade em Itapoá

Itapoá cresceu. O Porto cresceu. A movimentação de cargas cresceu. Mas existe uma pergunta que já não pode ser adiada: a infraestrutura da cidade cresceu na mesma velocidade que a atividade portuária?

No dia 9 de outubro, às 19h, essa pergunta estará sobre a mesa da Câmara Municipal de Itapoá.      O plenário receberá uma Mesa Redonda, comunicada pela Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados, para discutir a crise de mobilidade urbana e logística provocada pelo acesso ao Porto de Itapoá e seus impactos sobre a população, os caminhoneiros e a própria atividade portuária.  



E é muito importante que essa discussão aconteça.

Porque quando falamos em mobilidade portuária, não estamos falando apenas de caminhões. Estamos falando de uma cadeia inteira que começa no trabalhador que está ao volante, passa pelas empresas, pelo terminal portuário, pelas áreas de apoio, pelas vias públicas e chega ao morador que também precisa circular pela cidade.

O caminhoneiro autônomo é uma das pontas mais visíveis dessa cadeia. E talvez justamente por estar na ponta seja também um dos primeiros a sentir quando alguma coisa não funciona.

É ele quem enfrenta a espera, o congestionamento, a falta de espaço, os problemas de acesso e as dificuldades para conciliar horários e operações.

Mas é preciso fazer uma distinção.

Defender melhores condições para o caminhoneiro não significa defender desorganização no trânsito. Itapoá precisa de fiscalização, regras e disciplina. O que não parece razoável é exigir que o trabalhador cumpra uma regra sem que exista infraestrutura suficiente para que ele consiga cumpri-la.

Não basta dizer onde o caminhão não pode parar. É preciso oferecer uma alternativa onde ele possa aguardar com segurança e dignidade.

Essa talvez seja uma das questões centrais da discussão.

O caminhoneiro não estaciona porque quer ocupar uma rua. Muitas vezes ele está aguardando uma operação, uma janela de acesso, uma liberação ou um procedimento que depende de outros setores da cadeia logística.

Enquanto espera, porém, o relógio continua andando.

E tempo parado representa custo.

Combustível, alimentação, manutenção, desgaste do equipamento e, principalmente, horas de trabalho que poderiam estar sendo utilizadas para realizar outra viagem.

Por isso, a discussão precisa sair do campo das reclamações e entrar no campo das soluções.

Quantos caminhões circulam diariamente em Itapoá? Quantos precisam aguardar? Qual é a capacidade real dos espaços atualmente disponíveis? Quantas vagas seriam necessárias para atender a demanda atual? E qual estrutura será necessária quando o movimento portuário continuar crescendo?

São perguntas simples, mas sem elas qualquer tentativa de planejamento corre o risco de continuar sendo apenas improviso.

A Mesa Redonda do dia 9 pode ser uma oportunidade importante justamente por reunir diferentes setores em torno do mesmo problema.

Poder público, representantes dos caminhoneiros, empresas, operadores logísticos, comunidade e representantes da atividade portuária precisam olhar para a mesma realidade.

Não para procurar um culpado.  Mas para definir responsabilidades.

Uma solução concreta pode envolver várias frentes: ampliação ou criação de áreas de espera, melhoria das vias de acesso, aperfeiçoamento do sistema de agendamento, organização dos horários de maior movimento, sinalização, segurança, fiscalização e, principalmente, planejamento de médio e longo prazo.

Porque uma cidade portuária não pode crescer pensando somente na chegada e na saída dos navios.

É preciso pensar também no caminhão que chega, no motorista que espera, na carga que precisa circular e no cidadão que divide a mesma cidade com toda essa movimentação.

O Porto é importante para Itapoá.  O caminhoneiro também.

E uma coisa não deveria ser colocada contra a outra.

Ao contrário.

Quanto melhor organizada estiver a logística, melhor será para o porto, para as empresas, para os trabalhadores, para os moradores e para o próprio município.

É por isso que a audiência, ou melhor, a Mesa Redonda, precisa ser tratada com seriedade.

Não pode ser apenas mais uma reunião para registrar discursos e produzir fotografias.

O que Itapoá precisa é sair dessa discussão com encaminhamentos.

Diagnóstico.  Números.  Responsabilidades. Prazos. Projetos.

E, principalmente, uma direção.

O caminhoneiro autônomo não está pedindo favor quando reivindica estrutura para trabalhar. Está pedindo que a cidade e a atividade econômica para a qual presta serviço tenham condições mínimas para funcionar. E talvez esteja aí o ponto mais importante de toda essa discussão.

Se o Porto cresce, a infraestrutura que sustenta esse crescimento também precisa crescer.

Não existe logística eficiente sem estrada adequada, sem acesso organizado, sem área de espera e sem respeito por quem está diariamente atrás do volante.  

No dia 9 de outubro, Itapoá terá a oportunidade de discutir tudo isso.  Que não seja apenas uma reunião para falar sobre o problema.

Que seja o começo de uma conversa capaz de transformar o problema em planejamento e o planejamento em solução.

Porque o caminhoneiro pode esperar algumas horas por uma carga!

O que Itapoá não pode mais esperar é por uma solução para uma questão que todos sabem que existe.

Fonte: Ofício nº 141/2026/SG, de 18 de setembro de 2026, da Câmara Municipal de Itapoá.

19 setembro 2026

Antes Que A Retroescavadeira Volte...

 Dois já foram derrubados. Outros cinco continuam sob ordens de demolição. No meio da disputa entre preservação ambiental e a tradição da pesca, falta ainda uma resposta capaz de colocar documentos, legislação e realidade social na mesma mesa.

O que restou depois da escavadeira, nada foi poupado



Há momentos em que uma cidade precisa parar, olhar para o problema e perguntar: onde estamos errando?

O que está acontecendo no Pontal do Norte, em Itapoá, é um desses momentos.

A questão já não envolve apenas dois barracos de pesca que foram ao chão. Até o momento, foram localizados sete documentos oficiais determinando a demolição de sete estruturas. Duas já foram derrubadas. Restam outras cinco sob essa determinação.

E aqui começa uma discussão que não pode ser tratada simplesmente como uma briga entre pescadores e fiscalização ambiental.

De um lado, existe a legislação ambiental, a proteção da restinga, das dunas e das áreas de preservação permanente. Isso não é detalhe. É lei.

Do outro, existe uma comunidade de pescadores que há décadas constrói sua vida em torno do mar e utiliza essas estruturas como apoio para sua atividade.

No meio disso tudo está o poder público.

E é justamente aí que a coisa fica complicada.

Segundo funcionários da Secretaria de Infraestrutura, a Polícia Militar Ambiental esteve desde cedo no Pontal do Norte no dia 19 de setembro e solicitou à Prefeitura uma retroescavadeira. Conforme o relato desses servidores, a justificativa apresentada inicialmente era a retirada de “lixo” de uma área de preservação ambiental.

Mas a operação acabou chegando aos barracos.

Segundo os mesmos relatos, dois foram derrubados antes que os pescadores conseguissem retirar todos os seus utensílios de pesca.

Com a chegada da imprensa, do vereador Valdecir, o Fofo, e do ativista da causa pesqueira Diego Sanches, as conversas foram retomadas.

Vereador Valdecir (Fofo) buscando conciliar a situação


A Prefeitura acabou retirando a máquina. Sem o equipamento, a operação foi interrompida naquele momento.     É importante deixar claro: os detalhes dessa operação precisam ser confrontados com as versões oficiais da Polícia Militar Ambiental e da Prefeitura. O que já se sabe, porém, é que existem documentos administrativos determinando demolições.   E isso muda o tamanho da história.

Não são dois barracos. São sete decisões.

Em um dos processos ambientais que já analisamos, a Polícia Militar Ambiental identificou intervenção em vegetação de restinga fixadora de dunas, em área considerada de preservação permanente, para implantação de uma estrutura semelhante a um rancho de pesca.

O relatório registra intervenção em área de 0,0312 hectare e aponta que a estrutura estava localizada em terreno de marinha. Também descreve supressão de vegetação e a existência de estruturas semelhantes a barracos de pesca.

Naquele processo específico, a decisão determinou multa de R$ 5 mil, recuperação ambiental e demolição da obra.  Portanto, não dá para fingir que o problema ambiental não existe.   Existe.     E a fiscalização tem respaldo legal para agir quando constata dano ambiental.  Mas também não dá para fingir que todos os barracos são iguais.   E aqui está o ponto que, na minha visão jornalística, precisa ser colocado sobre a mesa.

Um barraco pode ser uma irregularidade. Mas também pode contar uma história.

Não estou dizendo que todo barraco de pescador deve permanecer onde está.    Também não estou dizendo que uma comunidade tradicional está acima da legislação ambiental.      Estou dizendo que cada caso precisa ser conhecido antes de receber a mesma sentença.  Quando se fala em sete barracos, é preciso perguntar:

Quem construiu? Quando construiu? Para quê? Quem utiliza? Há quanto tempo? Houve retirada de vegetação?  Está em área de preservação permanente?  Existe dano ambiental?  É uma estrutura nova? É utilizada efetivamente por pescadores? Existe possibilidade de adequação? Qual foi o processo administrativo? O pescador foi comunicado? Teve oportunidade de se manifestar?  Essas perguntas não são burocracia.  São o começo de uma solução.

E existe ainda uma nova realidade na Baía da Babitonga

Em 2026, o INCRA criou o Projeto de Assentamento Agroextrativista Pesqueiro Território Pesqueiro Baía da Babitonga, incluindo Itapoá entre os municípios abrangidos. 

Ativista Diego Sanches trazendo uma informação importante


A medida reconhece, dentro da política federal, a presença e a permanência de populações tradicionais ligadas ao território pesqueiro.     Isso não significa que todos os barracos estejam automaticamente legalizados.    Não significa que a legislação ambiental deixou de existir.    Mas também não pode ser tratado como se nada tivesse acontecido.       Existe agora um novo elemento institucional que precisa ser colocado na mesa quando se discute o futuro dessas comunidades.   E talvez seja justamente aqui que Itapoá tenha a oportunidade de sair da velha lógica do “derruba primeiro e discute depois”.

Cinco ainda estão de pé

Duas estruturas já foram demolidas.   Outras cinco permanecem sob ordens de demolição, segundo os documentos localizados.  E é justamente por isso que talvez ainda exista tempo para fazer diferente.   Não para impedir a fiscalização.    Não para descumprir decisões administrativas.    Mas para reunir os processos e analisar cada situação individualmente.

Esse seria o próximo a ser derrubado, mas sobreviveu


Prefeitura, Polícia Militar Ambiental, INCRA, Câmara Municipal e representantes dos pescadores precisam colocar os documentos sobre a mesa.

Não uma reunião para produzir fotografia.  Uma reunião para produzir solução.

Se uma estrutura precisa ser demolida porque provocou dano ambiental, que isso seja demonstrado documentalmente.  Se pode ser adequada, que se discuta a adequação.

Se existe uma relação comprovada com a atividade tradicional da pesca, que isso seja considerado. Se houve irregularidade, que o responsável responda dentro da lei.

É assim que funciona uma sociedade organizada.

O problema não pode terminar na retroescavadeira

Itapoá está crescendo.  O porto cresce.  A população cresce.  As obras crescem.  A pressão sobre o território também cresce. 

E justamente por isso não podemos tratar quem vive da pesca tradicional como um detalhe descartável da paisagem.

Ao mesmo tempo, não podemos transformar tradição em autorização automática para ocupar ou destruir área ambientalmente protegida.    Uma coisa não precisa eliminar a outra.

Meio ambiente precisa ser preservado. A lei precisa ser cumprida. E a história das comunidades pesqueiras precisa ser respeitada.

O desafio é encontrar a forma legal de fazer essas três coisas acontecerem ao mesmo tempo.

E talvez o primeiro passo seja muito simples: pegar os sete processos, colocar os documentos sobre a mesa e analisar um por um.

Porque sete barracos podem parecer sete problemas iguais. Mas talvez não sejam.

E se não forem, tratá-los como se fossem poderá criar um problema ainda maior.

No fim das contas, a pergunta que fica não é apenas quem vai derrubar o próximo barraco.

A pergunta é outra:

 Itapoá vai esperar a próxima retroescavadeira chegar ou vai sentar à mesa antes dela?

Porque depois que a máquina passa, a madeira pode ser retirada.    Mas uma história destruída não se reconstrói tão facilmente.

24 agosto 2026

edital de convocação para assembléia geral COOPIFRAI

 


COOPERATIVA  DE PRODUÇÃO  INTEGRADA DE SISTEMAS

AGROINDUSTRIAIS DE FRAIBURGO

COOPIFRAI



EDITAL DE CONVOCAÇÃO

DA ASSEMBLEIA - GERAL EXTRAORDINÁRIA


               O  Presidente da COOPERATIVA  DE PRODUÇÃO INTEGRADA  DE  SISTEMAS AGROINDUSTRIAIS -COOPIFRAI -CNPJ / MF n°18.820.989 /0001-45,

No uso de suas atribuições  que lhe confere o Art.41, II do Estatuto Social e no uso do Art.38, § 2º da lei 5.764/71 , CONVOCA todos os seus cooperados para a Assembleia - Geral - |Extraordinária (Art.36, «b» do Estatuto Social, a realizar-se no dia 10/09/2026 às 19:00 horas    em primeira convocação, meia hora depois em segunda convocação e mais meia hora depois em terceira convocação, na sede da COOPIFRAI, situado na  Av. João Marques Vieira, nº 349, Centro da Cidade de Fraiburgo - SC, para deliberarem  acerca das seguintes ordem do dia:


DISSOLUÇÃO  VOLUNTÁRIA DA COOPERATIVA E NOMEAÇÃO DE LIQUIDANTES ( Art. 35, VI, «D» do Estatuto Social).


Para efeito do Art. 26, V do Estatuto Social, a Cooperativa conta atualmente com 81 (Oitenta e um) Cooperados para efeito de cálculo de quórum de instalação de assembléia  geral.



 Fraiburgo (SC), 25 de Agosto de 2026

  ______________________________  

    Celso Vanz 

       Presidente da COOPIFRAI


                                          



                                        


Prainha do Cristo ganha nova passarela e valoriza ainda mais um dos recantos de Itapoá


Quem conhece a Prainha do Cristo, em Itapoá, sabe que o lugar tem uma característica que vai muito além da praia. É um daqueles cantos onde a natureza ainda consegue ser a principal atração. E agora, uma nova estrutura veio acrescentar beleza e funcionalidade ao espaço.


A passarela construída no local acompanha o caminho em meio às árvores, passando sobre a areia e chegando até um pequeno córrego. O resultado ficou bonito e, principalmente, integrado ao ambiente natural.


A estrutura cria uma espécie de caminho suspenso entre a vegetação, a areia e a água. Em alguns pontos, o visitante passa sob as árvores; em outro trecho, atravessa o córrego por uma pequena ponte, compondo um cenário que chama a atenção pela simplicidade e pela harmonia com a paisagem.


Mais do que facilitar a circulação, a passarela acabou se transformando em parte da própria experiência de quem visita a Prainha do Cristo. É um espaço que convida o visitante a caminhar com mais calma, observar a natureza e perceber detalhes que muitas vezes passam despercebidos.


E é importante registrar: os méritos pela concepção da ideia e pela criação desse projeto são do senhor Lincoln Brunkow e de sua equipe de criação Marildo e Marcos Speck Silvino, Juliano Pereira de Paula. Foi a partir dessa visão que se buscou uma solução capaz de valorizar o espaço sem transformar a natureza em coadjuvante.

Esse talvez seja o grande mérito da proposta. A intervenção não tenta competir com a paisagem. Ao contrário, utiliza a própria natureza como elemento principal do projeto.

 


A Prainha do Cristo continua sendo o que sempre foi: um lugar de beleza natural, com árvores, areia, água e a presença marcante da Baía da Babitonga. A diferença é que agora existe um caminho que permite ao visitante enxergar e vivênciar esse cenário de uma maneira diferente.

 


Na Prainha do Cristo, um simples caminho acabou se transformando em parte da paisagem. E, neste caso, a criatividade parece ter caminhado lado a lado com a natureza.



Por: Cesar Malinoski  Fotos: Jerusa Soares

15 agosto 2026

Antes de aumentar o IPTU, é preciso explicar as contas de Itapoá

Se a arrecadação do município vem crescendo e, em vários anos, ficou muito acima do que havia sido previsto no orçamento, a população tem o direito de perguntar: por que aumentar ainda mais o imposto?

 


A Câmara Municipal de Itapoá, após a ultima audiência publica, deverá analisar o projeto que trata da nova Planta Genérica de Valores e poderá provocar um aumento significativo no IPTU dos imóveis do município. A proposta ainda não foi votada, portanto, não existe aumento aprovado.

Mas existe uma conta que precisa ser colocada sobre a mesa antes da decisão dos vereadores.

Os números oficiais mostram que, nos últimos anos, a receita de Itapoá vem sendo muito maior do que aquela inicialmente prevista no orçamento.

Em 2021, por exemplo, o município previa arrecadar cerca de R$ 131,1 milhões, mas terminou o ano com aproximadamente R$ 178,3 milhões arrecadados. Uma diferença de quase R$ 47 milhões, ou 36% acima da previsão.

Em 2022, a diferença foi ainda maior. A previsão era de aproximadamente R$ 148,5 milhões, enquanto a receita chegou a R$ 244,1 milhões. Mais de R$ 95 milhões acima do previsto.

Em 2023, foram previstos cerca de R$ 186,2 milhões e arrecadados aproximadamente R$ 285,9 milhões.

Em 2024, a previsão ficou em torno de R$ 247,5 milhões, mas a arrecadação chegou a aproximadamente R$ 347,7 milhões.

Ou seja: em quatro anos seguidos, a receita realizada ficou muito acima da previsão inicial.

E aqui está a pergunta que interessa ao contribuinte:

Se o dinheiro que entra nos cofres municipais vem crescendo e, ano após ano, supera com folga aquilo que foi previsto, qual é a necessidade de aumentar o IPTU?

Não se trata de dizer que a Prefeitura não pode aumentar impostos. Também não significa que todo dinheiro arrecadado esteja disponível para qualquer finalidade. Existem recursos vinculados, despesas obrigatórias, investimentos e diversas regras que precisam ser respeitadas.

Mas a população tem o direito de saber qual é a necessidade real desse aumento.

Também precisamos perguntar por que as previsões de receita vêm ficando tão abaixo daquilo que efetivamente entra nos cofres municipais.

Uma previsão pode ser conservadora. Isso acontece na administração pública. O problema começa quando a diferença se repete durante vários anos e passa a chamar a atenção pelos valores envolvidos.

E há outra questão que precisa ser explicada.

Quando a arrecadação supera a previsão, a legislação permite, dentro das regras estabelecidas, que o município utilize mecanismos como créditos adicionais por excesso de arrecadação. Portanto, não estamos falando apenas de números escritos em uma tabela. Estamos falando de dinheiro que efetivamente entrou e que pode alterar a capacidade de execução do orçamento.

Por isso, antes de colocar a mão no bolso do cidadão, seria razoável colocar as contas sobre a mesa.

Quanto Itapoá arrecada? Quanto previa arrecadar? Quanto sobra? Quanto é destinado para cada área? Quanto já foi incorporado ao orçamento por excesso de arrecadação? E, finalmente, por que o IPTU precisa subir?

A Câmara Municipal terá logo uma oportunidade importante: discutir o projeto com os números diante dos olhos e não apenas com as justificativas apresentadas pelo Executivo.

Porque, no fim das contas, o contribuinte não está perguntando se a Prefeitura precisa de dinheiro.

Está perguntando se precisa tirar mais dinheiro do bolso dele.

E essa resposta, antes da votação, precisa ser muito bem explicada.

 

César Malinoski – Jornalista 5007/SC

12 agosto 2026

Mestre Longino Ribeiro Bastos: algumas pessoas não partem, permanecem na nossa história

Há notícias que chegam pelas redes sociais, atravessam centenas de quilômetros e, mesmo assim, parecem bater à porta da nossa memória. 



Foi assim que recebi a notícia da passagem de Longino Ribeiro Bastos, o nosso querido Mestre.
Estou hoje a cerca de 400 quilômetros de Correia Pinto, no Planalto Catarinense, onde vivi parte importante da minha juventude. Tenho 65 anos e, ao receber a notícia do seu desencarne, não foi a distância que me veio à lembrança. Foram os campos de futebol, os amigos, os sonhos de juventude e, principalmente, a figura daquele homem que dedicou boa parte de sua vida a ensinar, orientar e formar jovens através do esporte.
Longino Ribeiro Bastos foi muito mais do que o fundador do News Boys, equipe de futebol que chegou aos seus 50 anos de história. Foi um educador popular esportivo, daqueles homens que compreenderam que uma bola, um campo e uma equipe poderiam ensinar muito mais do que futebol.
Eu fui um desses jovens.
Fui atleta sob sua orientação. Fui admirador. Fui amigo. E, acima de tudo, guardei por todos esses anos um profundo respeito por aquele homem que ajudou a construir, através do esporte, uma geração de jovens de Correia Pinto.
O futebol talvez tenha sido a ferramenta. Mas o que o Mestre ensinava ia muito além das quatro linhas.
Ensinava disciplina, companheirismo, respeito, responsabilidade e, principalmente, a importância de pertencer a um grupo e lutar por ele. Naquele tempo, talvez não tivéssemos a dimensão do que aqueles momentos representariam em nossas vidas. Hoje, olhando para trás, compreendemos.

Mestre Longino deixou marcas.
E são justamente essas marcas que fazem com que algumas pessoas não desapareçam quando partem.
Elas permanecem nas histórias que contamos, nas lembranças que carregamos, nos amigos que fizemos e, sobretudo, naquilo que aprendemos com elas.
Por isso, neste momento em que a vida me encontra distante fisicamente de Correia Pinto, sinto-me próximo através da memória.
Lembro do jovem que fui, do atleta que um dia vestiu a camisa do News Boys e daquele homem que, com sua maneira simples e determinada, ajudou a transformar o futebol em instrumento de amizade, educação e cidadania.
Hoje, aos 65 anos, percebo ainda mais claramente o valor dessas pessoas que cruzaram nossa caminhada quando éramos jovens e ajudaram, de alguma forma, a moldar quem nos tornamos.

Obrigado, Mestre.
Obrigado pelas oportunidades, pelos ensinamentos, pelas cobranças, pelas histórias e pelos momentos que ficaram guardados na memória.
O News Boys pode ter completado 50 anos, mas algumas histórias não envelhecem. E alguns mestres não morrem.

Longino Ribeiro Bastos partiu, mas o Mestre permanece.
Permanece em Correia Pinto, permanece na história do News Boys, permanece na memória daqueles que foram seus atletas e, particularmente, permanece em minha memória e no meu coração. 



Que Deus receba o Mestre em sua morada.
E que seus familiares, seus amigos, seus antigos atletas e todos aqueles que tiveram o privilégio de conhecê-lo encontrem conforto na certeza de que uma vida dedicada a formar pessoas jamais será esquecida.

Descanse em paz, Mestre Longino.
A distância hoje me impede de estar aí para lhe prestar pessoalmente esta última homenagem. Mas nenhuma distância será capaz de apagar aquilo que o tempo não conseguiu levar: a gratidão, a amizade e a memória.

Arquivo do blog

Busque no Blog

Todos os direitos reservados | Blog Opinião do Malinoski. Tecnologia do Blogger.