Por Wilson Cesar Malinoski - Jornalista - 5007/SC
Em Itapoá, por exemplo, a realidade política não é homogênea. O Executivo municipal segue uma bandeira. O Legislativo municipal possui diversas outras. Já no governo do estado de Santa Catarina, o cenário também é fragmentado. No plano federal, no Brasil, a situação se torna ainda mais complexa, com partidos diferentes disputando e dividindo poder no Executivo e no Legislativo.
Ou seja, não existe “um governo” único. Existem governos. Plural. Fragmentados. Distribuídos. Interdependentes.
Quando alguém diz que tudo depende de mudar o governo federal, ignora que o vereador vota leis locais, fiscaliza contratos, aprova orçamentos municipais. Ignora que o prefeito administra diretamente a saúde básica, a manutenção das ruas, a educação municipal e grande parte da estrutura que impacta diretamente a vida cotidiana do cidadão.
Ignora também que deputados estaduais definem políticas regionais, infraestrutura estadual, segurança pública e investimentos estratégicos. E que deputados federais e senadores compõem o equilíbrio de forças no Congresso Nacional.
Essa simplificação, embora comum, revela uma sociedade que ainda enxerga a política de forma superficial. É mais fácil atribuir culpa a um único nome do que compreender a engrenagem complexa do sistema democrático.
A democracia não é um botão que se troca a cada quatro anos. Ela é uma engrenagem diária. E cada peça tem sua função.
E enquanto continuarmos procurando um único culpado, continuaremos também deixando de cobrar todos os responsáveis.