13 maio 2026

Sob Pressão dos Portos, Comunidades Tradicionais da Babitonga Buscam na Lei o Direito de Permanecer em Seus Territórios

 

Foto divulgação: Pescador na região da Babitonga

No litoral norte de Santa Catarina, um conflito antigo ganha novos capítulos à medida que grandes empreendimentos portuários avançam sobre a Baía da Babitonga. De um lado, projetos bilionários ligados à expansão logística e portuária. Do outro, comunidades tradicionais de pescadores artesanais que lutam para preservar um modo de vida construído ao longo de gerações.

Em regiões próximas ao Porto Itapoá e ao futuro terminal da Coamo, cresce entre os moradores o temor da perda de seus territórios diante da especulação imobiliária e da valorização acelerada das áreas costeiras. Para muitas famílias, a disputa não envolve apenas propriedades, mas a sobrevivência de uma identidade cultural ligada à pesca artesanal, à ocupação ancestral e à relação histórica com o mar.

Constituição e decreto federal garantem proteção

A resistência dessas comunidades encontra respaldo na legislação brasileira. A Constituição Federal de 1988 já assegura, em seu artigo 215, a proteção das manifestações culturais e dos modos de vida de populações tradicionais. Esse direito foi posteriormente ampliado pelo Decreto Federal nº 6.040/2007, que instituiu a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais.

O decreto reconhece como comunidades tradicionais os grupos culturalmente diferenciados que possuem formas próprias de organização social e dependem do território para manter sua reprodução cultural, social e econômica. Um dos pontos centrais da legislação é o princípio da autoidentificação, permitindo que a própria comunidade se reconheça como tradicional.

Reforma agrária passa a incluir comunidades pesqueiras

No fim de 2025, o governo federal deu um passo considerado histórico ao reconhecer oficialmente as primeiras comunidades pesqueiras tradicionais dentro do Programa Nacional de Reforma Agrária. A medida ocorreu por meio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que passou a enquadrar essas áreas na modalidade de Projetos de Assentamento Agroextrativistas (PAEs).

Na prática, os PAEs garantem segurança jurídica às famílias que vivem da pesca artesanal e utilizam os recursos naturais de forma sustentável. O novo modelo busca proteger territórios ameaçados pela expansão urbana, por empreendimentos privados e por disputas fundiárias.

A regulamentação também simplificou os procedimentos para reconhecimento dessas áreas, exigindo documentação básica, mapas e levantamento das famílias residentes.

Santa Catarina se torna referência nacional

Santa Catarina aparece entre os estados pioneiros nesse processo de reconhecimento. Três comunidades pesqueiras catarinenses já tiveram seus territórios assegurados por meio dos PAEs.

Entre elas está o PAE Território Pesqueiro Ponta do Leal, em Florianópolis, reconhecido em dezembro de 2025 e considerado um marco nacional na proteção de comunidades tradicionais pesqueiras.

Também foram reconhecidos o PAE Território Pesqueiro Praia do Rincão, em Balneário Rincão, e o PAE Território Pesqueiro Praia de Naufragados, novamente em Florianópolis, onde dezenas de famílias conquistaram o direito oficial de permanência em uma área ocupada historicamente desde o século XIX.

Os casos passaram a servir como referência para outras comunidades da Baía da Babitonga, onde centenas de famílias acompanham com atenção os desdobramentos jurídicos e administrativos.

Convenção internacional fortalece direito das comunidades

Outro instrumento importante nessa disputa é a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ratificada pelo Brasil em 2003. O tratado internacional garante às comunidades tradicionais o direito à consulta prévia, livre e informada sempre que obras ou decisões administrativas possam impactar diretamente seus territórios e modos de vida.

Na prática, isso significa que empreendimentos de grande porte, como terminais portuários, precisam ouvir formalmente as comunidades afetadas antes da concessão de licenças e autorizações ambientais.

A importância desse direito ganhou destaque em março de 2026, quando uma decisão judicial em Santa Catarina suspendeu a licença ambiental prévia de um projeto portuário na região do Sumidouro, na Baía da Babitonga. O Ministério Público de Santa Catarina apontou falhas no processo de licenciamento e ausência de estudos considerados essenciais para avaliação dos impactos sociais e ambientais.

A decisão foi recebida pelas comunidades como um precedente relevante na defesa dos territórios tradicionais da região.

A memória transformada em prova

Enquanto os processos avançam nos órgãos federais, como o Incra e o Ministério da Pesca e Aquicultura, as comunidades se mobilizam para fortalecer suas reivindicações.

Na região da Babitonga, estima-se que existam cerca de 30 comunidades de pescadores artesanais, reunindo mais de duas mil famílias que dependem diretamente da pesca tradicional.

Entre as estratégias adotadas está o resgate da memória ancestral. Famílias passaram a gravar depoimentos dos moradores mais antigos, registrar histórias de ocupação transmitidas entre gerações e construir árvores genealógicas capazes de comprovar a permanência histórica nos territórios.

O objetivo é transformar a tradição oral em documentação formal para anexar aos processos encaminhados ao Incra e ao Ministério Público Federal.

Entre o desenvolvimento e a preservação

O avanço portuário no litoral norte catarinense representa crescimento econômico, geração de empregos e expansão logística. Mas também levanta um debate cada vez mais presente sobre os limites entre desenvolvimento e preservação cultural.

Na Baía da Babitonga, comunidades tradicionais tentam demonstrar que a modernização da região não pode significar o apagamento de povos que ajudaram a construir sua identidade histórica.

Amparadas pela Constituição, por decretos federais, tratados internacionais e precedentes judiciais, essas famílias seguem organizadas para garantir que o progresso não avance sobre direitos históricos conquistados ao longo de séculos. 

11 maio 2026

Reajuste na Câmara de Itapoá divide vereadores e reacende debate sobre salários no serviço público

Vereador Odinei da Silva (Kalanga) e  Ademar Ribas (ademarzinho)

No meio político, unanimidade é artigo raro. E em Itapoá, como em qualquer cidade onde a democracia pulsa de forma intensa, as divergências aparecem justamente nos temas mais sensíveis: dinheiro público, salários e prioridades da máquina administrativa.

Recentemente, quando a Câmara Municipal votou o reajuste dos salários do prefeito, vice-prefeito e demais cargos ligados ao Executivo, o plenário ficou claramente dividido. A base aliada do governo votou favoravelmente ao projeto, acompanhada por um voto vindo da oposição, porém com justificativa apresentada em tribuna. Já outros três vereadores oposicionistas posicionaram-se contra a proposta, evidenciando que o tema está longe de ser consenso dentro do Legislativo itapoaense.

Agora, o debate retorna ao centro das atenções, mas desta vez dentro do próprio território da Câmara Municipal. Entra em pauta nesta segunda-feira o Processo nº 13/2026, que altera a Lei Complementar nº 76, de 11 de fevereiro de 2019, propondo reajuste nos vencimentos dos cargos do Poder Legislativo de Itapoá.

E novamente, o cenário político revela divisões internas. Nem mesmo entre vereadores tradicionalmente alinhados ao Executivo houve unanimidade. Durante a tramitação nas comissões, os vereadores Ademar Ribas e Odinei da Silva votaram contrários ao projeto, enquanto os demais parlamentares, tanto da situação quanto parte da oposição, manifestaram-se favoráveis.

Questionado sobre sua posição, o vereador Ademarzinho reafirmou ser contrário ao aumento. Segundo ele, a posição não é recente.

“No ano passado já fui contra e inclusive entramos com medida judicial para barrar o projeto, juntamente com os vereadores Nei, Daniel e Márcio. O mandado de segurança foi acatado pelo Judiciário, impedindo o projeto de prosseguir naquela época”, afirmou.

O vereador também relembrou o Requerimento nº 90/2025, apresentado por ele no ano passado, que, segundo suas palavras, recebeu respostas consideradas evasivas.

“Ainda não ficou esclarecido por que funcionários da Câmara continuam trabalhando de forma remota, como se ainda estivéssemos em período de pandemia”, questionou.

Ademarzinho ainda levantou outro ponto que promete alimentar o debate político e popular: a comparação salarial entre servidores do Legislativo e profissionais da saúde do município.

“Se levarmos em consideração o número de horas trabalhadas, veremos que funcionários da Câmara estão ganhando mais do que médicos do nosso município”, declarou.

O tema deve provocar discussões intensas no plenário e também fora dele. Afinal, quando se fala em reajuste salarial dentro do serviço público, o debate inevitavelmente ultrapassa a política e alcança a percepção da população sobre prioridades, transparência e valorização profissional.

Na prática, Itapoá assiste mais uma vez a um retrato claro da democracia local: vereadores divididos, posições firmes e uma sociedade cada vez mais atenta ao destino dos recursos públicos.

Plano Diretor de Itapoá amplia debate sobre representatividade e direitos da população

 


Das 11 reuniões previstas para este ano do Plano Diretor Participativo (PDP) de Itapoá, oito já foram realizadas, reunindo moradores, técnicos, representantes do poder público e diversos segmentos da sociedade civil. O objetivo do Plano Diretor é definir como a cidade deve crescer, organizando o desenvolvimento urbano, ambiental e econômico com participação popular obrigatória por lei.

Entre os princípios debatidos estão responsabilidade ambiental, inclusão social, adaptação às mudanças climáticas e qualidade urbana. Mas além das questões técnicas, as reuniões vêm revelando um debate importante sobre representatividade popular.

Duas categorias que passaram a participar de forma mais efetiva foram os pescadores artesanais e os caminhoneiros autônomos, que conseguiram inclusive eleger delegados para as próximas etapas do processo. Curiosamente, são justamente dois grupos que historicamente tiveram pouca participação ou poucos benefícios concretos nos planos anteriores.

Após essas eleições começaram manifestações questionando a validade de algumas reuniões, justamente aquelas em que essas categorias conquistaram representação. A primeira contestação foi realizada por um integrante que representa o setor de locação de terras que disse: "vamos no MP anular estas duas reuniões", a outra fala veio de um cidadão com mandato: "pode deixar, quando vier pra nós a gente VETA". O fato gerou estranheza entre participantes, principalmente porque todas as reuniões seguiram os mesmos critérios e tiveram legitimidade reconhecida durante sua realização, inclusive com esses dois personagens votando.

Os caminhoneiros afirmam buscar apenas o cumprimento da Lei Ordinária nº 676/2016 e defendem o direito de participar das decisões do município onde moram, trabalham, votam e pagam impostos. Já os pescadores defendem maior reconhecimento da atividade tradicional que faz parte da identidade local.

O debate vai muito além da política. O Plano Diretor influencia desde a incidência do sol nas praias até a altura dos prédios, a ocupação da orla, o crescimento urbano e também as concessões públicas e os direitos de exploração do solo municipal. E justamente por isso a participação popular é tão importante.

A população precisa compreender que pode, e deve, contestar decisões relacionadas às concessões públicas, ao uso do território e aos interesses econômicos que envolvem o município. O Plano Diretor não pertence apenas ao poder público ou a grupos específicos. Ele define o futuro da cidade e precisa refletir os interesses reais da comunidade.


01 maio 2026

Entre a proibição e o abandono: onde deve ficar o caminhão em Itapoá?


Em Itapoá, o caminhoneiro vive hoje um impasse que vai além da operação do dia a dia. Trata-se de um problema estrutural, legal e, sobretudo, humano.

De um lado, o poder público impõe regras cada vez mais rígidas. Decretos municipais restringem a circulação de caminhões com contêiner em diversas áreas da cidade, limitam horários e proíbem o estacionamento em vias urbanas. A justificativa é conhecida: organizar o trânsito, garantir segurança e melhorar a mobilidade.

Até esse ponto, a medida parece razoável.

O problema começa quando se observa o outro lado dessa realidade.

A Lei nº 676/2016, que trata do uso e ocupação do solo, determina que atividades ligadas ao setor portuário, como logística, transporte e operações retroportuárias, devem manter áreas próprias de estacionamento, com no mínimo 10% da área total do empreendimento.

Na prática, isso significa que quem gera o fluxo de caminhões tem o dever legal de oferecer estrutura para recebê-los.

É exatamente aqui que surge o conflito.

O que se vê nas ruas de Itapoá está distante do que a legislação estabelece. Filas de caminhões se formam com frequência, motoristas aguardam por horas e, muitas vezes, por dias, sem qualquer estrutura adequada. Diante desse cenário, a resposta tem sido o aumento das restrições.

Cria-se, então, uma situação contraditória. O caminhão não pode circular, não pode estacionar e, ao mesmo tempo, não encontra espaço suficiente para permanecer de forma regular.

A pergunta surge de forma inevitável: onde deve ficar esse caminhão?

A lei não responde de maneira direta. E, na prática, o sistema também não apresenta solução.

O caminhoneiro, peça fundamental da engrenagem portuária, acaba sendo colocado em uma posição delicada, em que qualquer decisão pode resultar em infração. Se circula, corre o risco de ser multado. Se para, pode ser penalizado. Se aguarda, muitas vezes não há local adequado.

Não se trata de defender a desordem urbana, mas de exigir coerência. Não é razoável impor restrições sem garantir alternativas. Da mesma forma, não é justo limitar o estacionamento sem cobrar e fiscalizar o cumprimento da obrigação legal de pátios por parte de quem opera e lucra com a atividade.

A lógica da própria lei é clara ao estabelecer que o impacto deve ser absorvido por quem o gera. Quando isso não acontece, o problema se espalha, atingindo as ruas, a população e, inevitavelmente, o caminhoneiro.

O que está em jogo vai além da questão do trânsito. Envolve planejamento urbano, responsabilidade compartilhada e respeito a uma categoria essencial para a economia local.

No fim das contas, permanece uma pergunta sem resposta: se o caminhão não pode rodar e não pode parar, onde ele deve existir? 



29 abril 2026

Sociedade mimada e individualizada: o conforto que fragiliza o coletivo


A ideia de uma sociedade mimada e individualizada não surge por acaso. Ela é resultado de um processo silencioso, construído ao longo do tempo, onde o avanço tecnológico, o consumo facilitado e a cultura do imediatismo passaram a moldar comportamentos e relações.

Nunca foi tão fácil ter acesso a tudo. Informação, produtos, entretenimento e até validação social estão a poucos cliques de distância. Mas, como alerta o publicitário e pensador Walter Longo, essa facilidade tem um custo pouco discutido: a formação de indivíduos menos tolerantes à frustração e cada vez mais centrados em si mesmos.

Assista o video abaixo que inspirou eu a escrever esta coluna e compartilhar com você  


Quando o esforço deixa de ser necessário, o valor das conquistas diminui. Quando o desconforto é evitado, a resiliência enfraquece. E quando o “eu” se sobrepõe ao “nós”, o tecido social começa a se romper.

O comportamento mimado, nesse contexto, deixa de ser apenas uma característica individual e passa a ser um traço coletivo. Vive-se a lógica do direito sem o dever, da opinião sem escuta, da pressa sem responsabilidade. A frustração, que sempre foi parte essencial do amadurecimento humano, passa a ser encarada como algo inaceitável.

A individualização aprofunda ainda mais esse cenário. Não se trata da valorização da liberdade, que é legítima e necessária, mas da perda da noção de pertencimento. O outro deixa de ser parte do mesmo sistema e passa a ser apenas um obstáculo ou, no máximo, um coadjuvante.

Esse fenômeno se reflete em todas as esferas. No cotidiano, aparece na intolerância no trânsito, na impaciência em filas, na dificuldade de convivência no ambiente de trabalho. Na esfera pública, se manifesta na incapacidade de diálogo, na rejeição ao contraditório e na superficialidade dos debates.

Paradoxalmente, nunca estivemos tão conectados, e ao mesmo tempo, tão distantes uns dos outros.

Se a sociedade pode ser comparada a um fluxo, como um rio que conecta e distribui, o momento atual revela uma interrupção desse movimento. Cada indivíduo se fecha em seu próprio espaço, interrompendo a circulação de empatia, responsabilidade e cooperação. 

O resultado é uma coletividade fragmentada, onde muitos querem receber, mas poucos estão dispostos a contribuir.

E uma sociedade que não circula, que não compartilha, perde força. Torna-se mais vulnerável, mais manipulável e menos capaz de enfrentar desafios comuns.

É preciso cuidado, no entanto, para não reduzir o problema a uma simples crítica geracional. Essa realidade também é consequência de um modelo que estimula o consumo como identidade, de redes sociais que reforçam comparações constantes e de uma cultura que valoriza mais a aparência do que a essência.

O desafio está em reequilibrar essa equação. Recuperar o valor do coletivo sem sufocar o indivíduo. Reaprender a lidar com limites, com o tempo das coisas e com a frustração como parte do crescimento.

Uma sociedade forte não é aquela onde todos pensam igual, mas aquela onde as diferenças convivem com respeito e responsabilidade compartilhada.

No fim, a pergunta que ecoa é simples, mas profunda: estamos formando cidadãos comprometidos com o todo ou apenas indivíduos treinados para consumir, opinar e exigir?

28 abril 2026

Clemir Alves recebe Título de Cidadão Honorário de Itapoá

 Itapoá completou 37 anos e a câmara legislativa celebra a cidade com homenagens, cultura e memória viva



Reunidos na foto com a Família, ao lado do vereador Márcio Melo, está ao centro o homenageado Clemir Alves junto a sua esposa Lorena e sua mãe Zélia, todos muito felizes com o reconhecimento formal da cidade ao empresário e aos seus empreendimentos que geram enorme quantidade de postos de trabalho.  

Itapoá celebra seus 37 anos de emancipação política em clima de reconhecimento e valorização de quem constrói, no dia a dia, a história do município.       A Câmara Municipal realizou, no dia 24 de abril de 2026, às 19h, uma Sessão Solene no Plenário Dirceu Mansano Jorente, reunindo autoridades, homenageados e a comunidade em uma noite que mistura emoção, cultura e identidade local.  A solenidade vai além de um ato formal.   Ela reafirma o papel do poder legislativo como guardião da memória coletiva e do reconhecimento público.   Ao todo, 17 personalidades receberam honrarias que simbolizam a gratidão da cidade por contribuições concretas ao seu desenvolvimento. Regidas pela Lei Municipal nº 220/2009, as distinções se dividem em duas categorias. 

O Título de Cidadão Honorário destaca como o Sr Clemir Alves, mesmo nascido fora de Itapoá, escolhe o município para viver e deixam sua marca por meio de serviços relevantes.      Já a Medalha de Honra ao Mérito reconhece cidadãos e entidades locais que impulsionam o crescimento social, econômico e institucional da cidade.    A sessão foi organizada em dois momentos.      

Das 19h às 21h, ocorreu a entrega dos títulos de Cidadão Honorário a Adelirio Lemonie, Alexsandro Junior Machado, Bento Janeiro Rodriguez, Claire Aparecida Cerutti, Clemir José Alves, Fábio Luiz Schiochet Filho, Francisco Xavier Soares, Leomar José Uzeita e Lincoln Brunkow.  Na seqüência, após breve intervalo, iniciou-se a entrega das Medalhas de Honra ao Mérito para André Fonseca Zappelini, Antônio José Nascimento Filho,  Aurea Gomes de Souza, Domingos dos Santos, Edite Eolis Castro de Arruda, Lilian das Graças Maoski, Paulo Henrique Gonçalves Fonseca e Wilberto José Speck.   Além das homenagens, a noite ganhou contornos culturais com apresentações do Foral de Itapoá, que levou ao plenário música e arte, reforçando o vínculo entre tradição e pertencimento.  
 
Ao abrir as portas para a comunidade, a Câmara transformou a Sessão Solene em um espaço de celebração coletiva, onde passado, presente e futuro se encontraram. Em Itapoá, a história não é apenas lembrada, ela é reconhecida em nome de quem a constrói todos os dias

Lincoln Brunkow recebe Titulo de Cidadão Honorário de Itapoá

Itapoá completou 37 anos e a câmara legislativa celebra a cidade com homenagens, cultura e memória viva

Vereador Odinei da Silva,  Lincoln Brunkow. (homenageado) e sua companheira Maria Helena  

Itapoá celebra seus 37 anos de emancipação política em clima de reconhecimento e valorização de quem constrói, no dia a dia, a história do município.       A Câmara Municipal realizou, no dia 24 de abril de 2026, às 19h, uma Sessão Solene no Plenário Dirceu Mansano Jorente, reunindo autoridades, homenageados e a comunidade em uma noite que mistura emoção, cultura e identidade local.  A solenidade vai além de um ato formal.   Ela reafirma o papel do poder legislativo como guardião da memória coletiva e do reconhecimento público.   Ao todo, 17 personalidades receberam honrarias que simbolizam a gratidão da cidade por contribuições concretas ao seu desenvolvimento. Regidas pela Lei Municipal nº 220/2009, as distinções se dividem em duas categorias. 

O Título de Cidadão Honorário destaca aqueles que, mesmo nascidos fora de Itapoá, escolhem o município para viver e deixam sua marca por meio de serviços relevantes.      Já a Medalha de Honra ao Mérito reconhece cidadãos e entidades locais que impulsionam o crescimento social, econômico e institucional da cidade.    A sessão foi organizada em dois momentos.      

Das 19h às 21h, ocorreu a entrega dos títulos de Cidadão Honorário a Adelirio Lemonie, Alexsandro Junior Machado, Bento Janeiro Rodriguez, Claire Aparecida Cerutti, Clemir José Alves, Fábio Luiz Schiochet Filho, Francisco Xavier Soares, Leomar José Uzeita e Lincoln Brunkow.  Na seqüência, após breve intervalo, iniciou-se a entrega das Medalhas de Honra ao Mérito para André Fonseca Zappelini, Antônio José Nascimento Filho,  Aurea Gomes de Souza, Domingos dos Santos, Edite Eolis Castro de Arruda, Lilian das Graças Maoski, Paulo Henrique Gonçalves Fonseca e Wilberto José Speck.   Além das homenagens, a noite ganhou contornos culturais com apresentações do Foral de Itapoá, que levou ao plenário música e arte, reforçando o vínculo entre tradição e pertencimento.  
 
Ao abrir as portas para a comunidade, a Câmara transformou a Sessão Solene em um espaço de celebração coletiva, onde passado, presente e futuro se encontraram. Em Itapoá, a história não é apenas lembrada, ela é reconhecida em nome de quem a constrói todos os dias



27 abril 2026

Política Não é Coerência, é Movimento


O texto que inspira esta análise é de Frutuoso Oliveira, publicado no portal UPIARA.NET. E é preciso dizer com clareza: há concordância no conteúdo, mas aqui ele ganha outra cadência, outro ritmo, a voz de quem também observa a política com olhar crítico e sem ingenuidade.

A política catarinense, como a brasileira, nunca foi território de linhas retas. É uma composição dinâmica de siglas, interesses e movimentos que, para quem insiste em enxergar pureza ideológica, parece contradição. Mas não é. É funcionamento.

Os exemplos estão postos. Gelson Merísio, que em 2018 esteve com Jair Bolsonaro, hoje se aproxima de Lula. Jorginho Mello, atualmente associado ao bolsonarismo, já pediu votos para Dilma Rousseff e transitou com naturalidade em espaços de governos petistas. João Rodrigues, que rejeitava o MDB dias atrás, agora disputa o partido com intensidade.

E quando se amplia o foco, o cenário fica ainda mais evidente. Jair Bolsonaro já ocupou posições políticas distintas ao longo da carreira. Valdemar Costa Neto, figura central do atual arranjo político, traz no currículo o episódio do Mensalão, ao lado de José Dirceu. Ainda assim, hoje lidera um partido que se apresenta como bastião moral.

O ponto levantado por Frutuoso é preciso, e aqui se reforça: o debate público foi sequestrado por uma lógica rasa. Em vez de propostas, discute-se biografia. Em vez de projetos, caça-se incoerência no passado. A política virou um inventário seletivo de alianças antigas.

Só que a história não sustenta essa simplificação. Luiz Henrique da Silveira venceu em 2002 com apoio do PT e governou com forças que incluíam o então PFL. Esperidião Amin, em 2006, declarou apoio a Lula com convicção pública.

Em 2014, nomes hoje colocados em lados opostos estavam no mesmo palanque. Jorginho Mello, João Rodrigues, Angela Albino, Gelson Merísio e o MDB integravam a mesma coligação, apoiando Raimundo Colombo e Dilma Rousseff.

E no plano municipal, onde a política mostra sua face mais crua, o pragmatismo costuma falar mais alto do que qualquer cartilha ideológica. Ali, alianças se constroem com base em viabilidade, governabilidade e sobrevivência política.

A conclusão, portanto, não é nova, mas precisa ser repetida com honestidade: a política sempre foi feita de negociação, adaptação e rearranjos. Não é desvio, é método.

Ao concordar com Frutuoso Oliveira, o que se reforça aqui é um alerta. O debate político precisa amadurecer. Menos obsessão pelo passado conveniente, mais foco no presente concreto.

Porque no fim, o eleitor não vive de coerência histórica. Vive de resultado.

E isso, definitivamente, não se resolve olhando pelo retrovisor.

21 abril 2026

Galeão prevê que Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro deve terminar o ano com mais de 19 milhões de passageiros

Aeroporto carioca fecha primeiro trimestre do ano com recorde de passageiros no período e novos negócios

O RIOgaleão projeta encerrar 2026 com 19,5 milhões de passageiros, consolidando um novo patamar de movimentação e conectividade para o Aeroporto Internacional Tom Jobim. O resultado é reflexo esforço da concessionária para atrair companhias aéreas e novos negócios, somada à coordenação de aeroportos, com impactos diretos para o turismo e a economia do Rio de Janeiro, como o centro de pesquisas da BYD, o novo hotel de bandeira internacional, a expansão da infraestrutura logística voltada ao comércio eletrônico e o hub da Gol anunciado recentemente.

O primeiro trimestre de 2026 já sinaliza uma tendência de crescimento. Entre janeiro e março, o aeroporto registrou 5,2 milhões de passageiros, o melhor desempenho para o período em sua história, com crescimento de 19% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior. Foram 3,2 milhões de passageiros domésticos, alta de 20%, e 2,0 milhões internacionais, com crescimento de 17%.

O tráfego aéreo no Rio de Janeiro também vem aumentando desde 2023, quando foi implementada a coordenação do Sistema Multiaeroportos da cidade. Nos dois primeiros meses do ano, o número de passageiros total no Rio de Janeiro cresceu 42% em relação ao mesmo período de 2023. No mercado doméstico, o crescimento foi de 25%, enquanto no internacional foi de 107%. O crescimento no Rio de Janeiro é tão consistente que supera o do Brasil no recorte doméstico e internacional.

Nos últimos anos, o RIOgaleão avançou na retomada da conectividade aérea e reposicionou o aeroporto entre os principais do país. De 2022 para 2025, o Galeão saiu da décima para a terceira posição entre os aeroportos com maior movimentação de passageiros no Brasil e consolidou-se como um hub estratégico para a aviação. A conectividade doméstica aumentou em mais de 800% comparado a 2023 e a doméstica-internacional cresceu mais de 200% no mesmo período. O resultado disso são mais destinos domésticos e internacionais ligados diretamente ao Rio de Janeiro.

A GOL tornou-se o principal motor de expansão da malha aérea no aeroporto e anunciou novos voos diretos para Nova York, Orlando, Lisboa e Paris, além da ampliação da conectividade doméstica. O Rio de Janeiro também passou a contar com novos destinos diretos, como Roma, Dallas, Santa Cruz de la Sierra, Assunção, Toronto, Mendoza e Montreal, além da chegada de novas companhias internacionais, como ITA Airways, Air Canada, Air Transat e Boliviana de Aviación. O RIOgaleão concentra 50% do tráfego de passageiros low-cost internacionais do Brasil, com uma malha robusta e diversificada, o que estimula, inclusive, o acesso ao destino Rio, um mercado criado pela prospecção ativa do aeroporto.

O fortalecimento da malha aérea contribuiu diretamente para o crescimento do turismo internacional na cidade. Em 2025, o Rio de Janeiro recebeu 2,1 milhões de turistas estrangeiros por via aérea, um recorde histórico, com crescimento de 44% em relação ao ano anterior. O desempenho segue em alta em 2026: nos dois primeiros meses do ano, o destino registrou o melhor início de série histórica, com recordes consecutivos em janeiro e fevereiro e volume superior ao de São Paulo no acumulado do período.


O RIOgaleão também ampliou sua relevância logística. Em 2025, o terminal de cargas registrou o quarto recorde consecutivo de movimentação, com 62 mil toneladas processadas e cerca de US$ 17 bilhões em valor CIF. O crescimento foi impulsionado pela expansão da malha aérea, pelo avanço do e-commerce internacional e pela demanda de setores estratégicos como petróleo e gás, indústria aeronáutica e farmacêutica.

O bom desempenho se manteve no início de 2026. No primeiro trimestre, o valor das importações cresceu 22%, totalizando US$ 4,6 bilhões. A operação de e-commerce segue como um dos principais motores de expansão: após processar mais de 30 milhões de remessas em 2025, o aeroporto já ultrapassou 10 milhões de volumes nos três primeiros meses deste ano. Nos dois primeiros meses do ano, a carga doméstica no Rio de Janeiro cresceu 81% na comparação com o mesmo período em 2023, enquanto o Brasil cresceu em torno de 13% no mesmo período.

O aeroporto reforça seu papel como motor da economia e da conectividade do Rio de Janeiro, contribuindo para a atração de turistas, investimentos e novas oportunidades de negócios para a cidade.


História e adrenalina são atrações para o fim de semana prolongado, em Corumbá

 

Salto de Corumbá oferece tirolesa, arvorismo e os famosos 1,200 metros de boia cross em meio ao cenário histórico do garimpo que aconteceu há quase 300 anos na cidade

Que tal uma boa dose de ecoturismo, adrenalina, regado a uma boa dose de cultura e história? Esse é um dos destaques do amplo menu de opções do  Salto de Corumbá para este fim de semana com o feriado na terça (21 de abril): tirolesa, arvorismo e os famosos 1,200 metros de boia cross.  O complexo espera mil pessoas por dia, de sábado (18) até a próxima terça-feira (21). 

Situado em Corumbá de Goiás, trata-se do  maior Parque Ecológico do cerrado goiano, que abriga a maior cachoeira de toda Serra dos Pirineus - chamada de Salto de Corumbá, que dá nome ao parque - com uma queda de 50 metros de altura. 

O cenário é perfeito para as atividades, mas ela também conta muita história, que é compartilhada pelos instrutores durante as atividades de aventura. É que Corumbá de Goiás, que completa 295 anos em 2026, e guarda memórias sobre a era do ouro no centro do Brasil.

No século XIX, o francês Bernard Alfred d’Arena fez intervenções no rio Corumbá, criando um paredão e um canal de desvio para o garimpo do ouro, secando completamente a cachoeira que dá nome ao parque - Salto Corumbá. 

Foi só em 1988 que os titulares da propriedade restauraram o fluxo original da cachoeira e os aventureiros podem conhecer o desvio atualmente seco - uma intervenção monumental para a época.

As histórias não param por aí e o passeio também reserva muita informação sobre as belezas do Cerrado, incluindo a passagem por mais seis cachoeiras do parque:  Cachoeira do Poço Rico, Cachoeira do Ouro, Cachoeira da Gruta e as três Cachoeiras da Gruta. 

 


Opções de descanso

Mas, para quem prefere uma programação mais tranquila para passar o feriado prolongado, o Salto de Corumbá também é o lugar, que oferece as modalidades de day use, hospedagem e camping. O parque oferece atrações como piscinas aquecidas,  passeio a cavalo, rapel, e  pesque-pague. 

Dá para fazer uma trilha à pé pelo parque, em que o caminho conduz o visitante em expedição temática por dentro da natureza, passeando por uma trilha que lembra as minas de ouro do século XIX.A trilha percorre 1,1Km em meio ao Cerrado, passando por animais ilustrativos, atravessando túneis e pontes, podendo chegar a uma velocidade de até 35Km/h.

O Restaurante Ranchão do complexo vai contar com música a noite inteira, recebendo o cantor Victor Telles. Já no domingo (19), a música fica por conta do artista André Marques. Nos dois dias, o som começa às 20 horas e se estende até às 23 horas. No ambiente Cerrado Bar Sunset o feriado também será animado, contando com a apresentação da DJ Caetella de sábado até segunda-feira (20), das 17 às 19 horas, contemplando o pôr do sol. 

O Salto Corumbá fica localizado ao lado da BR-414, Km 383, município de Corumbá de Goiás, a aproximadamente 1h30 de Goiânia e 50 min de Brasília. 

 


Serviço: Feriado prolongado no Salto Corumbá

Data:18 a 21 de abril

Local: Salto Corumbá-GO

Horários de funcionamento: Todos os dias, 8h às 18h

Endereço: BR-414, Km 383, Corumba de Goiás 72960000


O aumento salarial que virou caso de Justiça em Itapoá

 Itapoá entre a ingenuidade e a ganância

Jeferson Garcia e José Maria Caldeira


Por: Wilson Cesar Malinoski - Jornalista - 5007/SC

Na política, existem decisões que nascem cercadas de técnica, prudência e planejamento. E existem aquelas que parecem ter sido tomadas com a leveza de quem atravessa um campo minado acreditando que nada vai explodir.

O aumento salarial do prefeito de Itapoá, Jefinho Garcia, e do vice-prefeito José Maria Caldeira parece ter seguido o segundo caminho.

A decisão do desembargador Jaime Ramos, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, de notificar o prefeito, o presidente da Câmara, Ivan da Luz, e a Procuradoria-Geral do Município, após ação direta de inconstitucionalidade movida pelo Ministério Público, não surgiu do acaso. Ela é consequência direta de uma lei aprovada com dois ingredientes perigosos na administração pública: pressa política e descuido jurídico.

O aumento elevou o salário do prefeito para R$ 33 mil e do vice para R$ 16,5 mil, com efeitos retroativos a janeiro de 2026, em pleno mandato. A retroatividade, por si só, já acende um alerta vermelho. A Constituição e a jurisprudência são claras ao estabelecer o princípio da anterioridade para fixação de subsídios. Em outras palavras, o salário deve ser definido antes do mandato, não durante.

Mas o enredo não para por aí.

A ação do Ministério Público também aponta a ausência de estudo de impacto financeiro, exigência básica da Lei de Responsabilidade Fiscal. Não se trata de detalhe técnico. Trata-se do alicerce que sustenta qualquer decisão que envolva aumento de despesas públicas.

E aqui surge a primeira dúvida inevitável: foi ingenuidade ou convicção?

Segundo as informações, houve alerta formal da imprensa local. Ou seja, o risco foi apontado. O caminho mais seguro foi indicado. Ainda assim, a decisão seguiu adiante.

É nesse ponto que a política local entra em território delicado. Quando um gestor público é alertado pela imprensa e, ainda assim, decide avançar, restam apenas duas interpretações possíveis: despreparo ou intenção.

A situação ganha contornos ainda mais curiosos quando se observa o contexto político. O prefeito possui maioria na Câmara. A votação, segundo relatos, ocorreu com tranquilidade, após quatro meses de tramitação. Sem pressa aparente. Sem tensão. Sem crise.

Uma calmaria que, agora, contrasta com a tempestade jurídica que se forma.

A oposição foi contrária. Registrou o posicionamento. Cumpriu o papel institucional. Mas a maioria legislativa, confortável, seguiu adiante.

E como se o cenário não fosse suficientemente sensível, surge mais um elemento: a Câmara agora se prepara para votar aumento salarial para seus próprios servidores.

Não há ilegalidade em valorizar servidores públicos. O problema não é o aumento em si. O problema é o timing político. Em meio a uma ação judicial que questiona aumento salarial do Executivo, a sinalização de novos reajustes amplia o debate e reforça a percepção pública de desconexão entre prioridades políticas e realidade administrativa.

A política exige sensibilidade. E, sobretudo, exige prudência.

Quando decisões que envolvem dinheiro público são tomadas sem blindagem jurídica adequada, o risco deixa de ser apenas político e passa a ser institucional. O resultado é o que se vê agora: um município inteiro aguardando o desfecho de uma decisão que poderia ter sido evitada.

No fim, a pergunta permanece no ar, como uma nuvem que insiste em não se dissipar: foi ingenuidade, ganância ou falta de assessoria jurídica eficaz?

Talvez a Justiça responda. Ou talvez a resposta já esteja evidente demais para ser ignorada.

17 abril 2026

Hotéis sustentáveis no luxo aumentam receita eficiência e valor de marca

 


Empreendimentos incorporam práticas ambientais como estratégia de negócio e passam a disputar um viajante mais exigente e consciente

O turismo internacional superou 1,4 bilhão de chegadas em 2024, retomando os níveis pré-pandemia, segundo a Organização Mundial do Turismo, enquanto o segmento de bem-estar movimentou cerca de US$ 830 bilhões em 2023, de acordo com o Global Wellness Economy Monitor. 

Ao mesmo tempo, levantamento da Booking.com indica que mais de 70% dos viajantes globais pretendem adotar práticas mais sustentáveis nas próximas viagens. A convergência desses dados evidencia uma mudança concreta no comportamento do consumidor e pressiona a hotelaria de alto padrão a rever suas operações. 

Para Carmita Ribeiro, curadora de viagens de luxo e idealizadora do projeto Mala Vermelha pelo Mundo, a transformação já impacta diretamente a decisão de compra. “O luxo deixou de ser apenas conforto e passou a incorporar consciência. O viajante quer saber como aquele hotel opera e qual impacto ele gera”, afirma.

Carmita observa que hotéis de alto padrão têm incorporado práticas ambientais de forma mais estruturada, indo além de ações pontuais. Com vivência em mais de 65 países e atuação consolidada no turismo de luxo , ela aponta que o movimento envolve desde arquitetura sustentável até curadoria de experiências locais. “Não se trata de abrir mão da experiência premium, mas de redefinir o que significa qualidade. Hoje, conforto também está associado a bem-estar, silêncio e respeito ao ambiente”, diz.

A mudança de comportamento do viajante tem impacto direto nos resultados das empresas. Empreendimentos que integram sustentabilidade à estratégia tendem a fortalecer reputação, aumentar a permanência média do hóspede e elevar o ticket de consumo. 

Além disso, a eficiência operacional gerada por práticas como gestão de energia e redução de desperdício contribui para melhoria de margens. “Existe um ganho financeiro, mas principalmente um ganho de posicionamento. O cliente percebe valor quando há coerência entre discurso e entrega”, explica.

Esse avanço, porém, exige cautela. A adoção superficial de práticas ambientais pode comprometer a imagem da marca. “O maior risco hoje é parecer sustentável sem ser. O público desse segmento é informado e identifica rapidamente quando a proposta não é consistente”, afirma. Segundo ela, a credibilidade passa por transparência, certificações reconhecidas e experiência real entregue ao cliente.

Para estruturar essa transição, muitos hotéis têm recorrido a consultorias especializadas, auditorias ambientais e selos internacionais. A integração com fornecedores locais e a revisão de processos internos também aparecem como caminhos recorrentes. “Sustentabilidade não é uma ação isolada, é uma construção que envolve operação, equipe e experiência do hóspede”, avalia.

A especialista aponta cinco práticas que aumentam eficiência e valor no turismo de luxo sustentável

A implementação de práticas sustentáveis na hotelaria de alto padrão exige planejamento e consistência. Algumas diretrizes têm se consolidado como base para essa transformação.

 

  • Redução de desperdícios
    Controlar consumo de água, energia e alimentos melhora a eficiência operacional e reduz custos, ao mesmo tempo em que reforça o compromisso ambiental.
  • Eliminação de plásticos descartáveis
    A substituição por materiais reutilizáveis ou biodegradáveis é uma das medidas mais visíveis e rapidamente percebidas pelo hóspede.
  • Integração com comunidades locais
    Parcerias com produtores e experiências regionais agregam autenticidade à estadia e fortalecem a economia do entorno.
  • Certificações ambientais reconhecidas
    Selos internacionais aumentam a credibilidade e funcionam como parâmetro para o viajante que busca transparência.
  • Curadoria de experiências conscientes
    Atividades ligadas à natureza, cultura e bem-estar ampliam o valor percebido e criam diferenciação competitiva.

 

A consolidação desse movimento também está ligada à forma como o consumo vem sendo redefinido. O Traveller Value Index 2024, da Expedia Group, aponta que 76% dos viajantes priorizam experiências em vez de bens materiais, indicando um deslocamento claro na lógica de valor. Nesse cenário, hotéis que conseguem equilibrar sofisticação, responsabilidade ambiental e personalização tendem a se destacar.

Para Carmita Ribeiro, o futuro do turismo de luxo será guiado por escolhas mais conscientes e bem estruturadas. “O novo luxo está naquilo que faz sentido viver e não gera desconforto depois. A experiência precisa ser boa durante e também depois da viagem”, conclui.

 

Sobre Carmita Ribeiro

Carmita Ribeiro é administradora de empresas, empresária e idealizadora do perfil do Instagram Mala Vermelha pelo Mundo. Pernambucana, iniciou suas viagens internacionais ainda na infância e já percorreu mais de 65 países. Atuou por 12 anos como proprietária de uma pousada de charme na Praia dos Carneiros, em Pernambuco, experiência que consolidou sua atuação no turismo de alto padrão. Desde 2024, dedica-se à produção de conteúdo editorial autoral, sempre baseada em vivências próprias, com foco em cultura, gastronomia, hospitalidade e bem-estar. O projeto reúne uma audiência majoritariamente feminina, interessada em experiências sofisticadas e viagens planejadas com atenção ao detalhe.

Para saber mais acesse o site, o Instagram ou pelo canal no YouTube.

Sugestão de fonte: clique aqui

Fontes de pesquisa

Organização Mundial do Turismo (OMT)
https://www.unwto.org

Global Wellness Institute – Global Wellness Economy Monitor
https://globalwellnessinstitute.org

Booking.com – Relatório de Viagens Sustentáveis
https://www.booking.com/sustainable-travel

Expedia Group – Traveller Value Index 2024
https://www.expediagroup.com

  
 



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