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| Diego Antunes, Marta Ferreira da Luz e Tiago Oliveira |
A força eleitoral do PL de Itapoá, está demonstrada nas urnas. Mas quem terá capacidade de transformar esse patrimônio político em uma candidatura competitiva à Prefeitura em 2028?
A política tem uma característica interessante: uma eleição termina, mas seus resultados começam a alimentar a próxima disputa. E em Itapoá, os números da eleição presidencial de 2026 deixam uma questão que merece atenção: quem será o herdeiro político dos votos do PL no município?
O resultado do segundo turno é expressivo. O PL alcançou 11.214 votos, correspondentes a 68,37% dos votos válidos, enquanto o PT obteve 5.187 votos, ou 31,63%. Uma diferença de 6.027 votos. É um retrato importante do comportamento eleitoral da cidade e não pode ser ignorado por quem pretende disputar o comando da Prefeitura em 2028.
Naturalmente, eleição presidencial não é eleição municipal. O eleitor pode votar em uma determinada sigla para presidente e escolher outro partido para administrar sua cidade. Entretanto, uma concentração eleitoral dessa dimensão representa um patrimônio político que nenhuma liderança local deveria desprezar.
E é justamente aí que começa a disputa por espaço dentro do PL.
Entre os nomes que aparecem no cenário político municipal está Tiago de Oliveira, ex-vereador, ex-presidente da Câmara e candidato a prefeito na última eleição municipal. Tiago já conhece o caminho das urnas e demonstrou possuir capacidade de mobilização. Em 2024, recebeu 6.037 votos, alcançando 41,17% dos votos válidos, ficando na segunda colocação na disputa pela Prefeitura.
Outro nome é o vereador Diego Antunes, que vem conquistando visibilidade pública. Tem presença na vida política da cidade, domínio da comunicação e uma inserção que pode contribuir para ampliar seu reconhecimento junto ao eleitorado. A exposição parlamentar e a capacidade de dialogar com a população são elementos que podem ganhar importância na construção de uma candidatura majoritária.
Também merece atenção a vereadora Marta Ferreira da Luz. Sua participação na eleição de 2026 para deputada federal colocou seu nome em evidência. Marta recebeu 1.914 votos somente em Itapoá, tornando-se a segunda candidata a deputada federal mais votada no município. É um resultado que demonstra uma base eleitoral local relevante e que amplia seu espaço de discussão dentro do partido.
Temos, portanto, três nomes com trajetórias e características distintas. Tiago carrega a experiência de uma candidatura à Prefeitura e o conhecimento da estrutura política municipal. Diego apresenta uma atuação parlamentar e uma presença pública em desenvolvimento. Marta demonstrou capacidade de ampliar sua votação para além da disputa proporcional municipal, alcançando uma votação expressiva em uma eleição estadual.
Mas a pergunta permanece: quem conseguirá reunir essas forças?
O PL não precisa apenas encontrar um nome para colocar na disputa. Precisa construir uma unidade partidária, estabelecer um projeto de cidade e demonstrar que sua força eleitoral pode se traduzir em capacidade administrativa. A disputa interna, se não for conduzida com maturidade, pode transformar um patrimônio coletivo em fragmentação política.
Os números também precisam ser observados à luz da eleição municipal de 2024. Naquela ocasião, Tiago recebeu 6.037 votos, enquanto o MDB venceu com 7.669. A diferença foi de 1.632 votos. Agora, o PL aparece com mais de 11 mil votos no segundo turno presidencial. É uma dimensão eleitoral que chama a atenção, mas que não pode ser tratada como transferência automática de votos para uma candidatura local.
O PT, por sua vez, também precisa ser observado. Seus 5.187 votos no segundo turno mostram que existe uma parcela expressiva do eleitorado com a qual qualquer projeto político municipal terá de dialogar. A cidade não se resume a uma única corrente partidária.
Minha leitura é que o PL entra no período de preparação para 2028 com uma posição eleitoral bastante expressiva. Se o partido conseguir preservar essa base, organizar suas lideranças, ampliar o diálogo com os moradores e apresentar um projeto consistente para Itapoá, terá condições de chegar à próxima eleição municipal com uma vantagem política importante.
Mas existe uma diferença entre possuir votos e saber conquistá-los novamente.
O eleitor não pertence ao partido, tampouco a uma liderança. Seu voto é uma escolha circunstancial, que precisa ser renovada a cada eleição. E quem imaginar que os 11.214 votos do PL estarão automaticamente disponíveis para qualquer candidato poderá cometer um erro de cálculo.
A sucessão municipal já começou a ser desenhada, mesmo que muitos ainda não tenham colocado publicamente seus nomes na mesa.
Em 2028, a questão não será apenas quem quer ser candidato pelo PL. Será quem conseguirá representar a força da sigla sem dividir seu próprio eleitorado.
Em política, herdar votos é uma possibilidade. Conquistar a confiança do eleitor, porém, continua sendo uma tarefa pessoal e intransferível.