13 maio 2026

A desinformação como ferramenta de poder

 


Por Wilson César Malinoski - Jornalista Registro 5007/SC

A desinformação não nasce por acaso. Ela é planejada, distribuída e repetida porque serve a interesses muito claros. Em tempos de polarização, alguns grupos políticos descobriram que é mais fácil dominar uma população confusa do que convencer uma sociedade bem informada.

Quando a mentira vira estratégia, o primeiro alvo costuma ser a ciência. Afinal, a ciência trabalha com fatos, estudos, provas e debate técnico. Ela confronta narrativas simplistas e desmonta teorias fabricadas para manipular emoções. Por isso, desacreditar pesquisadores, universidades e especialistas se tornou parte do jogo político de quem prefere governar pela paixão cega em vez da razão.

Depois vem a imprensa.

A imprensa livre incomoda porque investiga, questiona e revela contradições. O jornalismo profissional pode errar, como qualquer atividade humana, mas possui algo que os propagadores de fake news não suportam: responsabilidade pública.     Existe assinatura, existe apuração, existe direito de resposta e existe compromisso com a verdade factual.      Já a máquina da desinformação trabalha no submundo dos vídeos editados, das frases fora de contexto e das mensagens anônimas espalhadas em massa.

O objetivo é simples: fazer a população acreditar que ninguém merece confiança.

Quando conseguem destruir a credibilidade da ciência, da imprensa e das instituições, sobra apenas a figura do líder político como “única verdade”.     É nesse ponto que nasce o autoritarismo moderno. Não é mais preciso censurar jornais oficialmente ou fechar tribunais com tanques nas ruas. Basta convencer parte da população de que tudo é mentira, exceto aquilo que vem do grupo político dominante.

As instituições democráticas também entram na mira. Congresso, Supremo, universidades, órgãos de fiscalização e até servidores públicos passam a ser tratados como inimigos. O discurso é sempre parecido: “o sistema está contra o povo”. Mas, curiosamente, muitos dos que atacam o sistema vivem dele há décadas.

E talvez o ataque mais perigoso seja contra as eleições.

Quando grupos políticos espalham dúvidas permanentes sobre o processo eleitoral sem apresentar provas concretas, o que está em jogo não é apenas uma disputa partidária. O alvo é a própria confiança da sociedade na democracia. Um país onde o cidadão deixa de acreditar no voto abre espaço para conflitos, radicalização e aventuras autoritárias.

A desinformação funciona porque mexe com medo, raiva e insegurança. Ela não quer cidadãos críticos. Quer torcidas organizadas. Não quer debate. Quer obediência emocional.

Por isso, defender a informação séria não é defender governos, partidos ou ideologias. É defender a capacidade da sociedade de pensar por conta própria.

Uma população bem informada pode até discordar entre si. Isso é democracia. O perigo começa quando as pessoas deixam de acreditar em fatos e passam a acreditar apenas naquilo que confirma suas próprias paixões políticas.

Porque quando a verdade perde valor, quem ganha espaço não é a liberdade. É o controle. 

Arquivo do blog

Busque no Blog

Todos os direitos reservados | Blog Opinião do Malinoski. Tecnologia do Blogger.